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Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

Carta ao pai natal (com trinta e alguns anos de atraso)

 

Querido Pai Natal !!!

É com uma gigante alegria, com o coração a vibrar e com um nervoso miúdo na barriga que te escrevo nesta noite de natal!

Quero-te pedir desculpas por só agora te escrever, em diversas oportunidades tentei fazê-lo mas era sempre esbarrada por alguém que perderá a fé cedo de mais. Durante o ultimo 1/3 de século, disseram-me que tu não existias, que não passavas de uma mito, de uma invenção da sociedade de consumo, uma estória contada entre anúncios de televisão com coelhinhos que iam de comboio ao circo. Contudo, eu sabia que tu existias, só podias existir! É certo e sabido que toda a estória contada tem um fundo de verdade e que as pessoas grandes não conseguem ver a magia que só os olhos dos mais pequenos estão programados para ver …

Por isso esperei, fiz de conta que não acreditava em ti, fiz de conta que era adulta, guardei todas as cartas clandestinas que te escrevi debaixo da cama e deixei o tempo passar. Só hoje voltei a remexer em tais memórias, porque há pouco quando olhei pela janela aqui de casa vi que te esqueceste de uma das tuas renas no jardim,  apercebi-me de imediato que estava na altura certa para finalmente te escrever em primeira mão nesta magnífica noite de natal …

Esqueci-me dos brinquedos que cobiçava que a letra miúda rabiscou em tempos, nem tão pouco desejo atualmente algo que possa ser guardado num embrulho ou possa ser colocado dentro de uma caixa de cartão. Não quero nada que esteja em catálogos ou em promoções. Engraçado, agora que te posso finalmente te escrever não tenho nada que te pedir …

Por isso, meu querido pai natal, somente te desejo uma boa viagem nesta grande noite onde milhões de crianças vão estar de olhos postos no céu à espera de te ver, não te esqueças de nenhuma delas (mesmo daquelas que guardam cartas debaixo da cama tenham elas a idade que tiverem). E claro, passa por aqui novamente, tens uma rena que me esta a comer a relva …