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Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

18 - El movimeiento del educado

Ainda o galo estava a dormitar na capoeira e gato amarelo cá de casa se enrolava nas mantas fazendo de conta que o dia ainda estava longe de acontecer, já eu estava nas minhas leituras diárias. Hoje sobre o movimento do educador. Mas o que é isso do movimento do educador de infância, matutei eu, que coisa mais estranha essa, nós temos um movimento, (pensei eu), e se o temos qual seria o meu?

Comecei inicialmente a fazer uma revisão aos meus dias passados na Casa do Castelo, e de uma forma muito natural comecei a fazer uma retrospectiva da minha prática pedagógica que já conta com 17 anos de experiência. Pensei que através nesse olhar para trás, para um passado não muito longínquo, eu pudesse encontrar o tal movimento. Descobri muita coisa que me deixou emocionada, lembranças dos anos de aprendizagens, de lutas, de conquistas, da aquisição de muitos conhecimentos e deparei-me com a minha mudança pessoal, com a escolha que fiz em ser feliz e como trabalhei/trabalho nesse sentido todos os dias.

Dei de caras com todos os obstáculos que colidiram com os meus sonhos e como tantas vezes pensei em desistir, (muitas vezes mesmo, acreditem em mim). Havia dias em que somente queria deixar-me levar pela corrente da banalidade, ser somente mais uma educadora a fazer trabalhos pré-fabricados para pendurar no placar e organizar festinha com os respectivos presentes e espetáculos de animação. Mas nunca consegui deixar-me ir nessa pasmaceira de ser,  da falta de originalidade e nem tão pouco de me calar ou de oferecer um ensino que não fosse capaz (verdadeiramente) de cimentar os valores sociais que permitissem às crianças serem pessoas felizes.

Ainda nesta demanda de encontrar o movimento específico do educador de infância, tomei consciência a de que a nossa vocação se estende para lá do nosso corpo, é atreves dos movimentos com que brindamos e amamos o mundo.

Educar é amar tanto o mundo que trabalhamos todos os dias com quem realmente poderá (futuramente) vir a fazer a diferença: as crianças.

Continuo a não saber qual é o meu movimento,

mas hoje apercebi-me do quanto gosto de observar a criança a ser livre …

 

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19 - El mantra del educador

Qual o meu mantra?

Passei a manhã nesta questão; eu tenho um mantra de educadora? Confesso que fiquei pensativa, rebusquei intensivamente dentro de mim esse mantra, escarafunchei de ponta a ponta toda a minha prática pedagógica na tentativa de encontrar algo que eu pudesse considerar um mantra. Sabem quando procuram uma determinada peça de roupa que não usam há mais de 7 anos, e desarrumam todas as gavetas da casa na demanda de encontrar a dita peça de roupa? Sabem como fica o chão e as gavetas depois das buscas? Assim estava a minha cabeça, isto é, completamente desarranjada, descomposta e dessarumada.

A Associação Casa do Castelo fica a 30km de minha casa, uma viagem que dura entre 30 a 45 minutos, o que me dá tempo suficiente para pensar, principalmente para me reorganizar e estruturar aquelas pequenas pontas soltas que ficam sempre a pairar em nós. Hoje não eram pontas soltas eram novelos inteiros de lã todos embrenhados uns nos outros.

A meio do dia tinha resolvido que eu era uma educadora sem mantra, feliz mas sem mantra.

Quando começamos a trabalhar nas experiencias (projecto desta semana), o grupo de crianças reuniu-se em volta da mesa com os copos, os ingredientes e o entusiasmo natural de quem estar a fazer algo com animo e vontade. Sentei-me a observá-los enquanto a minha amiga educadora participava no projecto. Eu ria-me das coisas que eles diziam e ria-me por estar feliz ali a observa-los a descobrir coisas novas, a crescerem e a construirmos juntos a pedagogia do Amor. De repente apercebi-me Amor é o meu mantra, o imenso, o gigante, o enorme Amor que sinto por aqueles Seres (crianças e adultos) que diariamente estão comigo, que juntos construímos uma educação diferente, longe dos conceitos (pré)estabelecidos pelas politicas e pelos costumes puritanos que ainda ditam que a escola não é local de lazer. Quando a verdade a escola tem de ser um total local de lazer.

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20 - La luz del educador

 

Luz do educador!

Durante o último ano senti que tinha perdido essa imensa luz vibrante e intensa que durante anos (mesmo em condições problemáticas) pulsava forte em mim. Os dias eram arrancados da cama à força, para me colocarem numa realidade educativa que não se encaixava nos meus ideais pedagógicos e nem tão pouco respeitavam ou se ajustavam às crianças com quem eu estava trabalhava. Mantinha os meus trabalhos, os meus estudos todavia eu ia-me deixando ficar apagada, sossegada e o ânimo para edificar uma realidade educativa que fosse construtiva para a criança, dissolvia-se lentamente. A culpa; não a culpa não era da instituição que eu trabalhava, a responsabilidade era minha (somente e exclusivamente minha) porque (por medos ou inseguranças que restavam “de outras estórias”) atrasei a minha realização plena e pessoal enquanto Educadora.

Este ano lectivo, sou eu que tiro o dia da cama, sou eu que desperto o galo para uma nova aurora e trabalho completamente dedicada aos princípios que acredito e confio que darão felicidade, alma e confiança às crianças. Voltei a apaixonar-me por fazer parte de uma equipa onde as crianças partilham estórias, têm tempo para brincadeiras infinitas, têm prazer em conversas longas que as levam a projectos e projectos que as levam a conhecimentos variados e principalmente voltei a encontrar o encantamento profundo de recuperar a minha criança interior.

A foto que escolhi para hoje, é a foto do largo da vila onde as crianças da Associação Casa do Castelo brincam todos os dias. É onde se juntam os vizinhos, onde se trocam conversas, onde se dá livros e onde os namorados às vezes se encontram. A luz que ilumina as minhas manhãs é a mesma luz que ao final do dia me abençoa e relembra-me que o meu caminho é iluminado.  

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21 la Puerta del Educador

El camino del educador hacia su corazón 

 

Sempre gostei de portas …

Num tempo antigo, quando a minha idade ainda estava na casa dos vinte, a minha mochila de viagem fazia parte do meu corpo e o mundo começava a não ter fronteiras, delineei um projecto de fotografar portas e janelas do mundo. A verdade é que fico encantada com a beleza profunda e escondida que uma porta pode guardar, já para não mencionar as centenas (ou milhares) de estórias que ela pode contar.

Quando era (ainda) mais pequena, lembro-me de entrar em casa dos meus avôs sem bater. Abria a porta e anunciava-me com voz alta e firma “Avô…”. Talvez por isso tenha uma boa relação com portas, nunca as vejo como impedimento de algo, mas sempre como passagem para um outro lado onde existe coisas maravilhosas.

Esta foi a primeira reflexão do dia, porque depois juntei uma outra paixão a este processo …

Como gosto muito de fotografar, hoje quando entrei na Associação Educativa Casa do Castelo não pude de deixar de me sentir maravilhava, o ganhar a consciência profunda que aquela porta especifica foi durante anos sonhada e visualizada. Tive que saltar muros, fogueiras e montanhas. Tive de mandar embora os demónios, os medos e os anseios. Tive de acreditar, apostar e trabalhar muito para que hoje aquela porta estivesse aberta e pudesse ser base da Pedagogia do Amor.

Soco Belda,muchas gracias ...

 

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Hoje, faria anos o primeiro ser que me ouviu contar estórias …

Hoje, faria anos o primeiro ser que me ouviu contar estórias …

Se eu hoje sou contadora de estórias é graças ao meu avô.

Perdi a conta dos anos que faria, ou dos anos que tinha, existem pessoas que pela sua importância tornam-se intemporais, abdicaram do tempo e do espaço, dissolveram-se no ar e voltaram a ser pó de estrela (livres e em paz absoluta com o universo).

O meu avô, era um pescador da vila que não sabia ler nem escrever, que passou mais tempo de vida no mar do que em terra, conheceu a fome severa e a dor da tuberculose nos seus tempos de rapaz. E mesmo assim, com todos estes percalços da vida, ensinou-me a ser gente, ainda eu não sabia o que era ser gente.

Carregava-me pela mão através dos campos e das serras em silêncios que duravam horas, escutava as minhas perguntas de criança curiosa, livre e atenta. Ouvia com uma atenção plena as estorias que eu inventava e quando eu o olhava desconfiada de que ele poderia não me estar a ouvir, sorria-me e logo toda eu me enchia de energia e continuava a criar, a inventar e a co-criar.

Com ele aprendi as coisas da vida e não vida. Aprendi que existe uma cadeia alimentar, que por vezes temos que matar para comer e não tem mal algum disso. Ele apanhava o peixe bom, as sardinhas e os carapaus que comíamos na rua sentados nos degraus em frente a sua casa. Puxávamos duas cadeiras, o fogareiro para junto de nós e nos deliciávamos enquanto a minha avó refilava “(…) faz tudo o que a rapariga pequena quer.”

Durante as tardes de primavera a minha missão era tomar contar das armadilhas para apanhar os pardais que ficavam montadas durante a manhã no campo. Lá ficava eu de vigia, escondida atrás das árvores a torcer para nenhum pardal caísse na morte certa enquanto penicava um pedaço de pão, mas não podia esconder o orgulho de entregar ao meu avô ao final da tarde a caça forte.

Aprendi com o meu avô que nem sempre quem cala consente e que quem responde a um parvo é duplamente ainda mais parvo. Até ao final da sua vida manteve sempre o prazer de ver desenhos animados, os documentários de Jacques Cousteau, os filmes antigos do Charlot, de se sentar a ver os carros a passar, de acordar de madrugada para ir trabalhar para as suas coisas do mar e de beber um Sumol e uma sandes de fiambre ao pequeno-almoço.

Quanto de mim vem daquele homem de olho azul forte que não contava estórias somente as ouvia.

Muito espero (sei) eu.

Quem tem/teve um avô tem uma dádiva e quem nunca teve (por motivos das coisas da vida) adopte um rapidamente, cura muitos males e são sempre eternos.

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