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Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

por falar em desertos ...

Só conheço um ...

Um que fica muito para lá da única estrada de alcatrão de Merzoga

Deu-me um trabalhão lá chegar, foi depois de boleias, de autocarros, de jipes e de tantas vezes andar semi-perdida que cheguei ao teu deserto!!!

Ouvi dizer, que para além desse deserto por mim conhecido, existe um outro. Um outro deserto escondido das multidões de turistas e das caravanas de camelos que em excursões estupidamente guiadas por entre as dunas vão desbravando os silêncios daquilo a que eu julgo ser a casa de Deus.

De tantas expedições levadas a cabo por Tuaregues visionários em ganhar mais uns trocos,  garanto que tanto os homens assim como dunas falam actualmente diversas línguas. O Deserto deixou de estar assim no fim do mundo e passou a estar ao virar da esquina…

Esquina essa que me pareceu algo longuíssimo…

Recordo  a emoções tola  de quando cheguei a Erford. Passado algumas horas de ter um lugar seguro de onde deixar a mochila, conheci o Abdul que nós levou a subir a montanha que separava o deserto de tudo o resto que estava desenhados nos mapas.  O caminho sempre a subir mais parecia uma ligação directa ao céu!!! Passado estes meses e com distanciamento necessário para reflectir serenamente, sinto plenamente que sim: aquele era o caminho que levava ao céu. E esse céu teve de esperar, pois era final de tarde de mais um dia de Ramadão tanto para os muçulmanos como para mim e calor que se sentia era insuportável, rodeava o meu corpo e queimava-me a respiração deixava-me zonza, como se fosse uma droga que penetrava em todas as células – consumi-as lentamente!!! Depois do cansado nos ter feito parar, sentamos a olhar a aldeia debaixo dos nossos pés e lá estava ele, saindo do meios das nuvens aquilo a que chamo divino a olhar para nós !!! Ninguém disse nada!!! Foi o silencio absoluto quebrado somente pelo som dos minaretes : já podíamos comer !!!

No dia seguinte seguimos para o teu deserto que agora é um bocadinho meu … (mas mesmo só um bocadinho)