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Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

pó (liticas)...

Hoje, enquanto estava a ver o jornal da noite (algo raro para mim)

Deparei-me com uma realidade que desconhecia (ou que pelo menos estava esquecida)

Parlamento, politiquices e coisas como tais …

Lembro-me de sempre ter gostado de política, de sentir na pele as revoltas e os valores nobres que levavam sempre tantas pessoas a moverem-se, a gritarem, a confiarem e tantas vezes a morrerem por causas que mais tarde a história encarregou-se de as catalogar cronologicamente, de arquiva-las em resumes de memórias ou inclui-las em programas educativos para os miúdos do secundário.

 O sentimento de contestar sempre me fascinou. Acreditar em determinados ideais, acreditar que esses ideais são de facto adequados, honestos e verdadeiros, acreditar que são, realmente, a “salvação” para um sistema regido por valores hipócritas, desleais e cruéis sempre preencheram a minha imaginação de criança! Sempre vivi de uma forma muito intensa esta afecção de lutar por uma melhoria na sociedade e por essa razão todos me chamam ou de comunista ou de utópica.

Aprendi cedo de mais, algumas estorias de outras guerras, outras politiquices. Guerras que tinham matado o filho da “ti Ermelinda” e outros tantos filhos, primos de vizinhos lá da rua!!! Dessas guerras pouco se falava, aprendi igualmente cedo de mais (ainda não sei como) que o meu pai também tinha estado na Guine, e penso que esse deve ter sido o primeiro passo para este sentimento de inadaptação constante a qualquer regime que não tenha como principal ponto na sua agenda politica o cidadão!!! (este ser que tantas vezes é esquecido ou abandonado a margem da lei)

Em minha casa, ao contrário do que acontecia em casa por exemplo do Miguel Sousa Tavares, não tínhamos as luzes acesas toda a noite, nem tínhamos poetas e outros como tais sentados a mesa para jantar. Não havia tertúlias nem assembleias clandestinas… na minha casa, havia somente as estorias do meu avô, as convicções politicas do meu tio Raul, as fotos de África do meu pai e o meu outro tio , esse que dormia ate ao meio dia!!! E são estas reminiscências que fomentaram em mim ao longo dos anos o desejo de aprender mais, mais e mais, de enfim, como já escrevi “inadaptação” …

E hoje, enquanto via o telejornal e a troca de gafanhotos (com todo o respeito pelo animal gafanhoto) entre os diversos deputados e o primeiro ministro, voltei a sentir em mim o bichinho da politica !!! Um bichinho cansado, desiludido, embuchado, ora se vira a direita ora se deita a esquerda, ora come ao centro ora compra submarinos em saldo, ora reduz os benefícios dos trabalhadores… bichinho bichinho tu toma cuidado!!!

No outro dia alguém me dizia “o que faz falta não é animar a malta o que faz realmente falta é o Salazar!!!” Será? Será que a História ainda nos vai dar essa chapada?