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Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

Hoje, faria anos o primeiro ser que me ouviu contar estórias …

Hoje, faria anos o primeiro ser que me ouviu contar estórias …

Se eu hoje sou contadora de estórias é graças ao meu avô.

Perdi a conta dos anos que faria, ou dos anos que tinha, existem pessoas que pela sua importância tornam-se intemporais, abdicaram do tempo e do espaço, dissolveram-se no ar e voltaram a ser pó de estrela (livres e em paz absoluta com o universo).

O meu avô, era um pescador da vila que não sabia ler nem escrever, que passou mais tempo de vida no mar do que em terra, conheceu a fome severa e a dor da tuberculose nos seus tempos de rapaz. E mesmo assim, com todos estes percalços da vida, ensinou-me a ser gente, ainda eu não sabia o que era ser gente.

Carregava-me pela mão através dos campos e das serras em silêncios que duravam horas, escutava as minhas perguntas de criança curiosa, livre e atenta. Ouvia com uma atenção plena as estorias que eu inventava e quando eu o olhava desconfiada de que ele poderia não me estar a ouvir, sorria-me e logo toda eu me enchia de energia e continuava a criar, a inventar e a co-criar.

Com ele aprendi as coisas da vida e não vida. Aprendi que existe uma cadeia alimentar, que por vezes temos que matar para comer e não tem mal algum disso. Ele apanhava o peixe bom, as sardinhas e os carapaus que comíamos na rua sentados nos degraus em frente a sua casa. Puxávamos duas cadeiras, o fogareiro para junto de nós e nos deliciávamos enquanto a minha avó refilava “(…) faz tudo o que a rapariga pequena quer.”

Durante as tardes de primavera a minha missão era tomar contar das armadilhas para apanhar os pardais que ficavam montadas durante a manhã no campo. Lá ficava eu de vigia, escondida atrás das árvores a torcer para nenhum pardal caísse na morte certa enquanto penicava um pedaço de pão, mas não podia esconder o orgulho de entregar ao meu avô ao final da tarde a caça forte.

Aprendi com o meu avô que nem sempre quem cala consente e que quem responde a um parvo é duplamente ainda mais parvo. Até ao final da sua vida manteve sempre o prazer de ver desenhos animados, os documentários de Jacques Cousteau, os filmes antigos do Charlot, de se sentar a ver os carros a passar, de acordar de madrugada para ir trabalhar para as suas coisas do mar e de beber um Sumol e uma sandes de fiambre ao pequeno-almoço.

Quanto de mim vem daquele homem de olho azul forte que não contava estórias somente as ouvia.

Muito espero (sei) eu.

Quem tem/teve um avô tem uma dádiva e quem nunca teve (por motivos das coisas da vida) adopte um rapidamente, cura muitos males e são sempre eternos.

#lifeproject#behappy#happylife

#educaçãolivre#comunidadeeducativa

#criançapensa#associaçãocasadocastelo#pedagogiadoamor

#criançafeliz#hamaisamorqueoutracoisa

 

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