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Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

O nosso tio George Michael ...

Quando eu era mais pequena do que tamanho que sou agora, (ainda os anos 80 estavam nos seus inícios) pensava eu, que George Michael era meu tio. Não sei quem terá dito tal coisa, (sempre responsabilizei a minha prima por esta invenção) mas a verdade é que acreditei deste parentesco com toda a alma e com todo o coração.

A minha família sempre foi grande e sempre andou espalhada por todo o lado. Talvez seja por isso que nunca questionei a veracidade deste tio distante que fazia parte das nossas tardes de sábado e confesso (aqui para nós) que ter um tio famoso enchia-me de satisfação e orgulho.

A certeza era tão vincada que em sonhos imaginava esse tio a descer a Serra da Arrábida para nos visitar. Porque na minha cabeça de criança no outro lado da Serra da Arrábida ficava as terras das Américas que apareciam em filmes que eu via em casa dos meus avôs. Quando se é criança o mundo é tamanho do nosso corpo mas a imaginação não tem limites.

Tudo se tornava ainda mais real, porque todos os anos, no aniversário deste tio eu e a minha prima (culposa destas ideias) entre tostões guardado e outros rapinados à socapa, comprávamos um bolo de arroz, colocava-mos uma vela, cantávamos os parabéns em inglês (para assim o tio perceber, porque como vivia há muitos anos fora já não se lembrava do Português) e deixávamos o vento apagar a vela.

Os anos passaram, o meu corpo acompanhou a minha idade, mas o tio ficou sempre nosso tio. Tornou-se assim, ele banda sonora das nossas infâncias e motivo de gargalhas sempre que relembramos estas e outras estórias.

Em 2007, fomos todos a Coimbra para o ver e lembro-me que ao tempo senti que tinha realizado um sonho. Não por ver um concerto, mas por estar com os meus primos, por ter estórias de uma infância feliz, alegre, onde houve a liberdade de acreditar que tinha um tio cantor e principalmente ter (sempre) ao meu lado pessoas prontas a sonhar e a fazer sonhar.

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Nós em Coimbra, 2007