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Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

Conversas matinais ...

Os sábados de manha são por norma dedicados as escritas …


Nunca sei realmente o que escrever, e penso que tal vontade é somente uma fuga ás tarefas domésticas que me esperam durante a semana inteira e com a chegada do fim de semana não encontrando, eu desculpas para as não realizar deixo-me envolver pelas letras, pela construção de frases que transportam entre si pensamentos, sentimentos e memórias que não são minhas mas que as fabrico para tal ocasião. Faço então desta tarefa de escrita uma missão indispensável a minha sobrevivência humana.


Assim, dedico-me a juntar palavras e vou buscar aquela minha vontade de ser escritora e por um par de horas saio da pele de anónima que me cobre nos dias normais, vestido a capa por exemplo de Clarice Lispector em busca da barata de kafka ou de Isabel Allende vagueando por uma casa recheada de espíritos cheios de narrativas para contar, enfeitiçando-nos a nos pessoas (por norma) vulgares mortais.


A inspiração para hoje (sábado de manha) surge de uma conversa de café. Uma conversa saudosista entre a minha pessoa e outra criatura igualmente fascinada por contos antigos que os nossos muito queridos mortos em comum, nos contavam quando ainda era possível acreditar que existia um mundo paralelo ao mundo dos vivos, esse mundo antigo em que não se acreditava em bruxas, mas que elas existam, disso ninguém tinha duvidas. Entre lembranças de pessoas que já morreram que nunca conhecemos e detalhes de uma vila que se rendeu ao modernismo consumista atual, foi uma conversa com a participação de todos os espíritos que nos rodeavam e que se riam imenso das coisas que diziam e principalmente rejubilavam de estarem a serem re-lembrados com tanto carinho.


Entre o Calvário (onde se enterravam as pessoas vivas),a água da fonte Califórnia (que curava todos os males), ao passadiço (onde se aprendia a nadar), passando pelas magias negras e outras mais claras praticadas por bruxas disfarçadas de donas de casa, foi com uma enorme comoção que abrimos o cofre das lembranças e tira-mos de lá os nossos avós …


É inexplicável o amor, o carinho, a dedicação que essas pessoas no cederam em vida e de um modo muito particular e único que não temos capacidade para entender, continuam ainda hoje (no lado de lá da vida) a olhar por nos de uma forma muito própria, muito única, muito longe de julgamentos…


A conversa acabou com metáforas de pombas e urubus preconceituosos, de lugares pequenos que guardam segredos e não deixam cair no esquecimento os erros que em tempos as pessoas comentarem …


E fiquei aqui, nessa palavra: erro


O que é um erro? Quem tem moralidade para decidir o que é um erro? Existe tal coisa de errar? Ou errar não passa mesmo de uma característica humana? Esta minha “companheira” de conversa matinal ainda hoje sofre as consequências de um pseudo erro cometido quando tinha idade tal. Não é uma pessoa amargurada, nem triste e nem tão pouco angustiada mas sente na pele a exclusão social …


Gostava de lhe ter dado um abraço e de lhe ter dito “gosto de ti” … (gosto de ti com o mesmo amor que gostava da tua avó)


E como não lhe disse, dedico-lhe a manha de escrita de sábado com tudo aquilo que ela tem direito:


Todo o amor do mundo (deste e do outro)

fim do mundo

Esta coisa de estar vivo e ser-se um ser social é de todo uma tarefa difícil …

(dificilíssima, dura e complicada – especialmente se não temos a roupa da estação e nem estamos no local X da moda)

Hoje ouvi dizer que o Elvis está vivo (nada de grandes surpresas ate aqui) e que possivelmente o mundo acaba amanha (o que me estraga os planos e as férias)

Tal deixa-me deveras preocupada!!! Pois saber de tal acontecimento apocalíptico de escala mundial irá acontecer e eu aqui sem bafo literário para escrever aquele que será último dos meus escritos. Falta-me inspiração e só me ocorre falar do caso amoroso de uma amiga minha (novamente) com um homem casado …

Não deveria eu estar preocupada com os sonhos da humanidade que se irão perder caso tal fim do mundo aconteça?

Pois deveria, mas não estou!!! Depois, armada eu aos cucos, publico no facebook frases bonitas sobre como o consumismo nesta época natalícia enforca a alma humana em cada compra, ou em como esquecemos os valores base desta época de natal e a transformamos (assim como em quase tudo nas nossas vidas) em algo fútil, oco, insignificante, onde somente nos preocupamos em sermos “mostráveis” aos amigos e conhecidos e de divulgar a nossa uma vida perfeita…

Salva-me a minha pobre alma humana o facto de ainda não ter comprado um único presente natalício. Todavia, não sei se tal alma a minha está bem salva, porque para além de não ter subsídio de natal, não tive nem tempo para compras e nem oportunidade, não esquecendo que fujo a sete pés de multidões, pois tenho aquela tal alergia/fobia a massas humanas …

Contudo, a minha amiga continua a ter um caso com um homem casado (outro homem casado) como tal é possível?

Tenho outra amiga minha que diz que nós recorremos sempre as mesmas situações porque desta forma nos encontramos em terreno conhecido. Diz esta minha amiga que mesmo que a situação seja dolorosa, (normalmente o é) nós a preferimos porque (re)conhecemos as sensação, e de tanto lidar com mesmas situações aprendemos de um modo muito próprio a gerir sentimentos – Zona de conforto.  Sabemos desde do início o que esperar, e nada nos pode surpreender … (Neste caso: se é casado, já não nos poderá trair. será este um terreno estável?)

O que me leva novamente ao ponto de partida, o mundo esta praticamente nas ultimas e eu aqui ralada com o caso amoroso extraconjugal de uma amiga que segundo consta não passa de uma zona de conforto …

 

 

carta a deus!!!

Não aceito!!! É este o ponto de situação nesta minha estranha ligação com deus.


Por favor, oh deus não me digas que é o melhor, nem te atrevas a dizer que em algum plano (do qual não tenho consciência) eu fiz estas escolhas …


Não aceito e não aceito e volto a dizer mil vezes seguidas batendo o pé que não aceito!!! Bem sei que olhas para mim como se estes meus trinta e poucos anos fossem uma piada, e ate podem ser, (na verdade poderão ser uma chalaça comparados por exemplo com a eternidade) mas são meus e são a única coisa que conheço e foi neste tempo de vida que aprendi tudo aquilo que sei e ate descobri esta estranha forma de comunicar contigo através das letras.


Não me venhas com tangas nem com filosofias de esquina, nem tão pouco te atrevas a tratar-me como uma garota oca que vive de imagens e de publicidades de marcas fúteis.


Não sei trocar um pneu (é um facto) não sou uma força da natureza (outro facto) e estou longe de ser a mulher independente que durante muitos anos pensava que viria a ser. Não me destes estes dons, muito pelo contrario, deste a possibilidade de ver o que os outros não vêm, de sentir o mundo em mim, de amar incondicionalmente, de esperar, de acreditar, de sonhar, de ficar quieta, de saber o que vai acontecer muito antes de as coisas acontecerem, de ler o que as palavras não dizem e de sentir o tal efeito borboleta . Se estes foram os nossos planos, se foi isto o que combinamos, se é este o meu plano (tendo em conta que tu e eu somos feitos da mesma matéria) porque razão tantas e tantas vezes eu desejo saber trocar um pneu ou ter uma unha pintada?


Hoje cedo disseram-me que tu e tu somos um!!! Que não existe essa coisa de tu seres algo superior. Eu gosto disso, serio que gosto, também já sabia que vivias dentro de cada individuo, mas sabes isso deixa-me com uma sensação estranha de solidão. Bem, a verdade é que esta descoberta vem a ser a resposta porque nunca te encontrei fora de mim, porque te procurei nas minhas entranhas, porque nunca me satisfizeram as religiões e porque razão o meu lema foi “me myself and i”. Contudo, e mesmo sabendo destas coisas todas hoje não aceito, não aceito e não aceito novamente mil vezes, não aceito quando me dizes que existe coisas que não me estão destinadas, vai-ta lixar. Disseste para amar eu amei, disseste para acreditar eu acreditei, disseste para trabalhar eu trabalhei, disseste para comtemplar eu comtemplei, disseste para esperar eu esperei, disseste “eu estou em ti, confia” e eu confiei …


Se tu és eu, se eu sou tu, escuta-me não me faças isso outra vez ou não me deixes fazer isso a mim própria, ajuda-me a não perder a inspiração e a acreditar que o amor é mesmo o único caminho.


Não gozes comigo e não me deixes gozar eu própria comigo, não me mintas e não me deixes mentir a mim própria, não me enganes e não me deixes eu me enganar, não construas duas realidades e não me deixes viver em duas realidades. Se meu amigo e deixa-me ser eu própria minha amiga.


Se estou chateada contigo, estou pois! Mas também já sabes que de vez tempos a tempos, corto relações contigo. Lembraste da última que te deixei de falar e te mandei com os porcos? Foi na praia a cerca de um ano, a sorte é que tu não me ligas e por seres quem és, Deus, só sabes amar, longe de culpabilizar ou de fazer juízos de valor… (tão comum nos simples mortais)…


Desculpa, mas hoje não aceito. Se te escrever que quero ser terrivelmente feliz sei o que me vais responder, algo do género “ então sê”… por isso não te vou escrever, sei as tuas respostas, porque me deste esse dom de sermos só um e de saber algumas coisas que por exemplo a minha vizinha não sabe!!! (contudo, já vi a minha vizinha a mudar o pneu)…


Gosto de ti Deus, mas hoje não me apetece dize-lo oficialmente o quanto te amo…