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Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

legenda oficial do post anterio

Pegar na mochila … não pensar … limitar-me a sentir …

Andar… parar… observar… experimentar...

Viver ...

Acreditar que existe sempre um destino a minha espera…

Que estou no local exacto onde deviría estar …

(nem cedo nem tarde de mais, precisamente na hora correcta)

Está tudo certo, não existe contratempos na ordem prefeita do universo…

 

...

Já alguma vez tinha escrito que ele esta realmente em toda a parte?

Tudo ganha um sentido, uma orientação, uma visão distinta e renovadora quando me apercebo que ele esta (mesmo) em todo o lado …

E se eu quiser falar com ele ?

Tem de ser como cantou Regina…

“Tenho que ficar a sós, tenho que apagar a luz tenho que calar a voz (…) tenho que aceitar a dor (…) tenho que lamber o chão dos palácios dos castelos sumptuosos dos meus sonhos (…) e a pesar de um mal tamanho alegrar o meu coração (…)”

Existes dias em que falo com ele assim, através de um clik da maquina fotográfica …

carta sem selo ...

 

Querida P. !!!
É impressão minha ou o tempo tem estado a correr a uma velocidade estrondosa?!?!
E com tanta aceleração não havemos de nos estarmos meios “bailarinas” de corpete nesta dança da vida …
Por aqui as coisas tem estado tranquilas, uma contradição com a ultima semana de Agosto (que realmente rima com desgosto) onde me perdi em sofrimentos de mil e numas dores e tristezas sem fim …


Tem sido um trabalho diário este levantar a cabeça e (re)começar a andar, este (re)acreditar que tudo nos acontece por um bom motivo …
Para me ajudar (não sei se te contei) foi fazer uma massagem com o L. e clarooo sai de lá toda torta mas com uma certeza – as coisas para melhorar tem que efectivamente doer … e isso acontece mesmo a nível físico agora imaginemos a nível emocional … (uma tareia)
Olha digo isso, mas não faz de mim uma mestra, alias penso que te escrevo estas palavras mais como “recado” para mim, como uma lembrança de que tudo esta certo… não existem errados … somente caminhos.

As festas destas bandas são realmente fantástica !!! não sabia que vinhas cá … foi uma pena, contudo a minha mãe na segunda-feira foi para  o hospital, sentiu-se mal e coisa e tal, a verdade é que chegamos a Almada eram umas 3h da tarde e saímos de lá perto da 1h da manha … contado ninguém acredita.

Diz a miuda que o nosso encontro esta destinado a ser na feira da ladra… Entre os saris indianos e os livros velhos que se estendem pelos passeios !!!

A casa de chá é fantástica sim , e no inverno tem lareira … que nos aquece a alma e o corpo … além do mais tem um chá com natas que é a perdição de de muito forasteiro que depois disso se muda de malas e bagagens para a vila … estou desde de já a avisar.


Ai se o Miguel Sousa Tavares te ouve a dizer “quase romance” vai-te pedir direitos de autor …


É lindaaaaa essa tua historia !!! e eu claro esta … farto-me de rir !!!


E penso ufaaaaaa não estou sozinha neste mundo louco de amores estranhos e de saltos em queda livre sem pára-quedas nem redes de segurança …
Realmente, penso que ele tem razão, não podemos fugir do que sentimentos … isso seria uma emboscada a nos … contudo, não podemos nesta nossa busca pela verdade, pela felicidade a dois ou simples busca de sapos estupidamente bonitos e encantados magoar ninguém … pois ai estaremos a como diria a tia xana “criar rabinhos energéticos” … ela disse que quando não agimos da melhor forma criamos nas nossas costas uma ligação com pessoas (género um fio) e vamos andamos, tocando a nossa vidinha para a frente ate que um dia o fio se esgota e zasss somos puxados para trás … e pior, diz a tia xana, as vezes temos tantos rabinhos energéticos que simplesmente não conseguimos andar …


Contudoooooooooooo … ehehe já te disse eu farto-me de rir!!! :PPenso que é um mimo essa relação, que é de aproveitar, de vive-la … de rir, de amar, de acreditar, de inspirar com os pulmões em grande forma … para além do mais, nos nunca sabemos o que esta guardado para nos… e desde de já te digo o que tiver que ser nosso já o é !!! nos é que ainda não sabemos…

Ohhh e agora li – “Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um espetáculo imperdível, ainda que se apresentem dezenas de fatores a demonstrarem o contrário." F.P

Parece-me um bom recado antes de adormecermos ?!?!?

Beijinhos querida amiga …
É bom ver-te feliz e inspirada …


 

Meu querido, meu muito querido João dos Santos...

 

 

A minha educação foi a de esperança

 

“Trata de ser como és, revivifica perpetuamente os teus actos e as tuas palavras com um pensamento criador, não deixando qualquer lugar à convenção, porque aquilo que acreditas ser um simples ridículo mudando ou uma simples maledicência é a morte de espírito. Continua a viver sinceramente, irrespeitosamente, não no sentido religioso, mas no da imortalidade da literatura.”

 

Fui educado na liberdade por um pai que se batei pela República sob as ordens de Machado dos Santos.

Fiz a minha educação primária no Bairro Andrade e no Largo do Intendente, onde havia a capelista dos bonecos de estampar e dos berlindes e a loja do Senhor Ferro, um velhote simpático que vendia à rapaziada lá do sítio, relógios de sol, piões, pregos, martelos e arames para as nossas pequenas construções. O Senhor Ferro era o pai de um homem, que um dia, inventou o culto programado de Salazar.

(…)

Vi entrar em Lisboa Gomes da Costa e vivi desde então na esperança duma liberdade que o meu pai me ensinou no dia a dia do conviver-conversado; no culto da natureza e dos desportos não competitivos; dos cursos de esperanto e das conferências, discretamente libertárias dos esperantistas e naturistas.

Aprendi com o meu pai, que por causa da politica se não podia dizer lá fora aquilo de que se falava em casa, entre amigos.

Visitei meus tios na “residência fixas” e nas cadeias do Aljube e vi partir alguns para o exílio forçado por motivos das suas ideias.

Tomei conhecimento de que se não devia cometer a ignomínia de votar em eleições de resultados pré-determinados pelo poder.

Casei com a filha do Senhor Grijó – um lutador republicano com vinte anos de cadeia e de exílio e que por ter tido este pai, foi condenada à perpetuidade: não podia trabalhar em serviços de Estado. Assisti e resisti na medida das minhas forças ao que o fascismo nos impôs: as guerras de Espanha, Mundial e de África.

Desde de jovem compreendi que a Educação e a Saúde tinham que ver com a democracia e que eram incompatíveis com a ausência de liberdade.

Lutei como pude, no meu desajeitamente politico.

Arranjei maneira de trabalhar para ganhar a vida (…). Ensinei, os meus filhos e aos meus discípulos, que se deviam preparar para lutar – desde já, desde de sempre – para que “um dia” pudessem trabalhar com dignidade e com saber, para a Educação e para a Saúde do povo e para o bem estar de todos.

O dia chegou. Saí de manhãzinha de casa. Como é habitual. Vi a tropa na rua a barrar-me o caminho e disse mais uma, com uma indignação velha de 48 anos, uma palavra forte.

Enganei-me, eram os outros…

Tirei do bolso o caderno de notas, que sempre me acompanha, e escrevi em francês, talvez por ser a língua que, num curto exílio, liguei à liberdade:

“une hirondelle ne fait pas le printemps” (25.4.74): pus um cravo rubro ao peito e andei por aí. (…).