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Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

o reino que afinal não é tão unido assim ...

Os novos tempos chegam assim, entram pelas janelas, pelas portas, pelas televisões de rompante e preenchem as nossas ideias com perguntas “como é possível?” “o que se passa neste mundo” …

O que mais me impressiona, para além da violência gratuita distribuída nas ruas, impressiona-me  a incapacidade da restante população em guardar, proteger, amparar, tanto os seus bens, como as suas famílias!!!

Se nos pagamos os nossos impostos, se suportamos todas a medidas que governos nos empurram então esses mesmos governos tem o deve de nos proteger … sem medos, sem inseguranças, sem terrores !!!

Se temos que retirar algumas lições, algumas dicas, alguns ensinamento destas situações…

Penso que sim !!!  E-D-U-C-A-Ç-Ã-O

A sociedade criou a sociedade tem de curar …

 

Hoje parti sem destino marcado (ou pelo menos assim pensava eu)

 

Ao acordar o ar fresco da manha não de Verão mas sim de Outono que me abriu a janela parecia mais um ar vindo de uma revolta campal nocturna em que homens e mulheres gritaram, lutaram e cansaram-se com a chegada dos primeiros raios de sol. O ar, esse elemento inconstante, tentou acorda-los, desperta-los do sono e da fadiga, mas nada conseguiu, revoltoso deu reviravoltas sobre si mesmo e de tantas piruetas, cambalhotas e tombos embateu na minha janela. Gritou-me, sacudiu-me os lençóis da cama, derrubou-me os livros das estantes e quando dei o primeiro suspiro esse mesmo ar trapalhão que me entrava pelo nariz não conseguiu chegar  aos pulmões …

Foi nesse instante que ouvi a voz “segue em frente”

Então os pulmões, funcionaram pela primeira vez, tal e qual como funcionam os pulmões dos recém-nascidos a primeira vez sentem o oxigénio a entrar … dói !!!

Uma sensação como desentupir canos, serio … !!! O oxigénio leva tudo a sua frente como um rio quando em épocas de chuva invade as terras…

“segue em frente”  … ouvi !!!

E foi então que descobri que se da minha casa eu seguir em frente (sempre pela direita) chego a A1 …

É uma constatação assim meio tola … mais disparatada ainda quando a minha frente surge uma placa que diz “ Porto 280km”

“É para ir ao Porto?” perguntei …

Silêncio!!!

E foi nesse silêncio que começou o atropelamento de ideias …

Todas, ate as mais pequenas ideias, aquelas que ninguém pensa, ninharias de ideias, todas queriam atenção!!! Todas desejavam ter ponderação, reflexão, berravam e depois de um primeiro suspiro pelo qual ainda me doía todos os músculos do peito, era agora a minha cabeça palco de uma rixa de concepções, todas mal pensadas e mal resolvidas …

Claro, houve duas ou três ideias que dominaram todo o caminho…

(as habituais)

Estava cansada, exausta, esgotada e sem vontade de ver o Douro!!!

Então, tomei eu própria a minha decisão:

“ Quando chegar a metade do combustível inverto caminho” …

125km depois, inverti caminho em Fátima!!!

Sábado/chuva/Agosto/missa/obras nas estradas…

Olhei para cima e exclamei “ É aqui… !!”

E foi então que dentro de mim saiu como uma bolha de ar a resposta

“Sabias que era aqui !!!”

Não sei se sabia, ou se sabia não me lembrava ou se me lembrava fiz por esquecer …

Tinha estado no santuário a relativamente a pouco tempo quatro anos …

E nada mudou!!! As mesmas lojas, mas mesmas dores, os mesmos sofrimentos, as mesmas cantigas, as mesmas orações, as mesmas velas, a mesma energia densa que pairava no ar que se misturava com uma luz brilhante vinda do céu … dissolvia-se a consiste energia por entre as tremulas gotas de chuva e os risos das crianças que aproveitando o espaço livre e a “fé” dos pais corriam a socapa por entre os fies devotos …

Nada mesmo mudou …

Alguém me disse “sente a energia que vem de cima e não a que esta em baixo” comecei-me a rir … ai ai ai que tola eu sou!!!

Antes de me vir embora lembrei-me de algo que me tinham sugerido sobre a nova capela. Já lá tinha estado mas não com entendimento que tenho agora do mundo …

(e como sabem o entendimento vê o mundo de diferentes formas)

Entrei, contudo, antes de entrar, na rua já se ouvia os batuques de tambores que saiam alegres e coloridos pelas portas laterais da igreja …

Uma missa africana, e se não era africana era qualquer coisa que não sei …

Sei que os cantores tinham saias coloridas, agitavam suavemente a cabeça e as pessoas moviam-se timidamente nos seus lugares (afinal era uma missa) …

 No meio da igreja surgiram uma miúdas que faziam uma dança estranha, encaminhando-se para o altar … a musica continuava, os tambores que inicialmente estavam inseguros e acanhados começam a tomar conta do local … (especialmente de mim) e pela primeira vez não tive pensamentos.

Quando voltei ao estado de ser pensante, a musica continuava  e crianças brincavam no chão com os seus fatos tipicamente cheios de cores e de estampados incrédulos …

E ali estava eu, de mini-saia, de unha pintada, de lenço colorido ao pescoço, casaco velho por cima dos ombros e chinela no pé a tremer de frio… quando o vi, quando olhei para ele na cruz gritou a todos que por ali passavam “ tirem-me daqui” , disse Jesus!!!

Aquele Jesus é um Jesus diferente … estou a falar a verdade !!! para começar não tem a cabeça baixa, não tem cabelos compridos a tapar-lhe o rosto, não tem coroa de espinho, não tem medo na sua expressão …

Tem cabeça levantada, cabelos curtos e fortes, o rosto é nítido e da sua expressão sai vida, força, alegria e paz …

Ele olhou-me nos olhos e diz-me “seguiste em frente!!!”

Se pensam que depois disto existe paz …

Não, lamento informar mas não existe paz, existe ou existiu para mim um motim tanto físico como emocional !!! O corpo começou a cambalear, as lágrimas não caíram, ficaram amontoadas no canto do olho … a respiração ficou mais acelerada e olhei para as pessoas que estavam ao meu lado na tentativa de perceber se o que eu estava a viver era real ou fazia parte da bipolaridade ou da esquizofrenia que enchem os hospitais psiquiátricos…

“continua a seguir em frente” e com esta ultima frase deixei as doenças do fórum do Júlio de Matos e Miguel Bombarda e desisti !!! simplesmente desisti …

O regresso foi estranho… silencioso e com poucas ideias!!!

Soube-me bem regressar a casa mesmo que dentro de mim nunca me tivesse sentido tão sozinha.