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Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

.: amigos que me fazem escrever :.

Querida Patrícia !!! Boas noites …

Mas que descrição perfeita de um momento que sei ter sido fantástico!!! (eu não o faria melhor, acredita).Realmente o L. é uma pessoa especial com um dom imenso e uma alma cheia de tranquilidade e de amor!!! Ontem voltaram-me a falar nele o que só fez aumentar a minha admiração por esse "padre budista" que de vez em quando larga tudo para ouvir a voz de Deus !!

Engraçado que depois de muito tempo a tentar “negar” a existência de Deus, entre voltas e reviravoltas de religiões embriagadas na salvação eterna, encontro-me actualmente no ponto inicial da minha demanda espiritual,  acredito nessa identidade de toda a alma e coração mas sem casa, isto é, a casa sou eu. Ele esta dentro de mim, fora de mim, ocupa o espaço entre as minhas células e preenche a distância que vai de mim a todos os outros seres, estando ele próprio nos outros seres!!! É único, tem vários nomes e vários caminhos para chegar ate si, mas como alguém me leu ontem: ele esta a nossa espera no mais fundo do nosso ser !!!

O caminho, esse teve de ser percorrido da maneira mais complicada, contudo, acredito que só desta forma o conseguimos ver assim pleno, longe de instituições e de regras severas que nos cegam com o objectivo de nos controlar.

Onde ele está agora? Sentado ao meu lado possivelmente a ditar estas coisas todas e claro a rir pensado “ muito bem, nada de glorificações, nem a metade do caminho ainda vais… continua

Aiiii pronto, esta ideia era para um post e olha, nasceu no meio da resposta a tua mensagem …

Imagens que ganharam asas ao longo deste tempo …

Voaram daqui para acolá e tantas vezes de lá de bem longe para ai !!!

Mostram saudades (com sotaque brasileiro), alegrias, partilhas, momentos , historias

Que não puderam ser retidas, que somente podiam obedecer o ok “enviada” !!!

O Telemóvel as apanhou e hoje todas foram libertadas …

Era uma vez …

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Tantas mais estão ainda ali ...

por falar em desertos ...

Só conheço um ...

Um que fica muito para lá da única estrada de alcatrão de Merzoga

Deu-me um trabalhão lá chegar, foi depois de boleias, de autocarros, de jipes e de tantas vezes andar semi-perdida que cheguei ao teu deserto!!!

Ouvi dizer, que para além desse deserto por mim conhecido, existe um outro. Um outro deserto escondido das multidões de turistas e das caravanas de camelos que em excursões estupidamente guiadas por entre as dunas vão desbravando os silêncios daquilo a que eu julgo ser a casa de Deus.

De tantas expedições levadas a cabo por Tuaregues visionários em ganhar mais uns trocos,  garanto que tanto os homens assim como dunas falam actualmente diversas línguas. O Deserto deixou de estar assim no fim do mundo e passou a estar ao virar da esquina…

Esquina essa que me pareceu algo longuíssimo…

Recordo  a emoções tola  de quando cheguei a Erford. Passado algumas horas de ter um lugar seguro de onde deixar a mochila, conheci o Abdul que nós levou a subir a montanha que separava o deserto de tudo o resto que estava desenhados nos mapas.  O caminho sempre a subir mais parecia uma ligação directa ao céu!!! Passado estes meses e com distanciamento necessário para reflectir serenamente, sinto plenamente que sim: aquele era o caminho que levava ao céu. E esse céu teve de esperar, pois era final de tarde de mais um dia de Ramadão tanto para os muçulmanos como para mim e calor que se sentia era insuportável, rodeava o meu corpo e queimava-me a respiração deixava-me zonza, como se fosse uma droga que penetrava em todas as células – consumi-as lentamente!!! Depois do cansado nos ter feito parar, sentamos a olhar a aldeia debaixo dos nossos pés e lá estava ele, saindo do meios das nuvens aquilo a que chamo divino a olhar para nós !!! Ninguém disse nada!!! Foi o silencio absoluto quebrado somente pelo som dos minaretes : já podíamos comer !!!

No dia seguinte seguimos para o teu deserto que agora é um bocadinho meu … (mas mesmo só um bocadinho)

 

coisas de bichos

O meu gato pensa (seriamente) que é um leão…

Já lhe expliquei que bicho gato em bicho leão não se poderá transformar!!!

Se, realmente, quer trocar de categoria animalesca, terá de ser por uma pantera …. (tendo ambos em comum o preto)

Respondeu-me então o respeitável bicho (ainda) gato que pantera não poderá ser!!! Diz, ele então, que pantera só conhece uma, a cor de rosa e não quer ele, ser confundido com cores de cachecóis que são motivo de risadas matinais entre enamorados tolos que acordam antes do galo cantar.

Depois destes argumentos (bastantes validos) lá deixei o gato ser leão, que todo contente foi para o jardim praguejando o júbilo do bom dia que se fazia sentir, prefeito segundo ele para uma boa caçada na savana.

 

tempo de espera ...

 Cá em casa existe uma flor …

Alias, cá em casa existem muitas flores …

Umas espalhadas ao longo do corredor, outras aos cantos das divisões, outras dispersas pelos compartimentos (que escondem os segredos de quem por aqui habita)…

Todas elas, as flores,  acompanham o ritmo das estações …

 É algo extraordinário observar e fazer parte deste ciclo natural.

Existe uma, todavia, que merece deveras este post …

A Estrudes teve um percurso digno de nota e de estoria, pelo facto de ter sobrevivido sozinha…

Muito antes do Chico gato ter chegado, a Estrudes já fazia parte deste ambiente…

Primeiramente ficou a um canto da sala, depois mudamo-la para junto da janela, depois para a cozinha e assim andou nestas tentativas frustradas de encontrar um lugar ao qual se sentisse bem.

A verdade é a Estrudes morria um pouco todos dias…

Ao fim de algum tempo colocamo-la nas escadas e ai deixamo-la ficar …

 Claro que não era nossa preocupação diária observa-la …

Estava ali, e o corre corre do dia a dia ocupava as descidas e subidas  sem nunca parar-mos para olhar a Estrudes.

Os tempos assim como os meses e tudo o que dai advêm arrastado aconteciam naturalmente.

O sol, as chuvas, os festejos, os sorrisos e as tristezas tudo isto passava como um comboio que apesar de parar em todas as estações previamente estabelecidas continua a sua tranquila viagem sobre os carris tantas vezes já desgastados …

Ontem olhei para a Estrudes !!!

Precisou de tempo esta flor, de estar sozinha, de não ser mimada, de estar consigo mesmo para florir num tom rosa que encanta não só a nos adultos mas igualmente o Chico (que vê nela uma potencial vitima de ataques de gatos que pensam que são leões)

Levou-me então a pensar, será que assim como ela todos nos não temos que ter o nosso tempo? De não sermos mimados? De estarmos sozinhos longe das manias e dos olhares alheios? De saber morrer para então procuram-nos a luz e renascer?

(atenção, este morrer é um morrer hipotético)

O mesmo não se passara com as crianças e a sua educação?

A pouco ouvi alguém dizer na tv  sobre as amendoeiras em flor …

“ É na natureza que vamos encontrar as respostas (…)”

 

"Então o misterio das coisas estremece.

E o desconhecido cresce como uma flor vermelha" Sophia

(neste caso - cor de rosa)