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Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

Palavras de uma outra ilha

Quando chega o Dezembro para além do natal e das coisas que por arrastão advêm desta época festiva, como os almoços e jantares, as prendas e prendinhas emerge em mim a excelência de preparar novamente a mochila …

E o que é isso de preparar a mochila?!?!

Quem pensa que é escolher roupa, organizar produtos de higiene e coisas como tais,  esta  obviamente equivocado …

Preparar a mochila (este objecto que ainda esta guardado do fundo do armário) é somente uma metáfora falhada para expressar o que sinto ao saber que dentro de uma semana vou estar em Dublin !!! A mesma Dublin que tantas vezes li nas diversas biografias do meu mui querido Wilde, Oscar Wilde. A mesma cidade que serviu de palanque para James Joyce  e toda a cultura “joyceana” que ainda hoje esta muito presente nas nossas  vidas. A mesma terra que nos entra pela vista adentro como capa de notícia que reflecte todo o mau tempo que se vive na Europa …

É desta forma, entre buscas de imagens, de histórias, de tradições e "maldições" (pois é certo e sabido que toda a cidade europeia esconde uma maldição, caso não a tenha não é digna de ser visitada) que  se vai formando em mim um remoinho de sensações que me precede sempre que vou novamente dar-me ao mundo!!!

Palavras importantes para serem enviadas de lá para cá:

Is breá liom tú ró

     

Is fada liom uaim

 

Póg

 

a thagann chun dom

Happy bhliain nua

Até já Irlanda

Parou nas minhas mãos estas palavras para hoje ...

Dá-me

a tua mão:

Vou agora te contar

como entrei no inexpressivo

que sempre foi a minha busca cega e secreta.

De como entrei

naquilo que existe entre o número um e o número dois,

de como vi a linha de mistério e fogo,

e que é linha sub-reptícia.

 

Entre duas notas de música existe uma nota,

entre dois fatos existe um fato,

entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam

existe um intervalo de espaço,

existe um sentir que é entre o sentir

– nos interstícios da matéria primordial

está a linha de mistério e fogo

que é a respiração do mundo,

e a respiração contínua do mundo

é aquilo que ouvimos

e chamamos de silêncio.

 

Clarice Lispector

Vendaval ...

Encontrei assim a vila hoje !!!

Despida de turistas apetrechados de utensílios variados que somente se dão uso no verão, de curiosos sem apetrechos levianos de outras estações, interessados somente no mar que dizem ser milagroso …

Havia poucas pessoas hoje na vila, contavam-se pelos dedos de uma mão as gentes que metidas em casacos bem fechados se atreviam a pisar a rua junto a praia, locomoviam-se essas gentes em corridas apressadas, como se fugissem de um furação ameaçador e aterrador, pois o vento brincava com os telhados, com as árvores, com os cartazes e com tudo o resto que encontrava no caminho, nunca se sabe quando é que esse mesmo vento se torna insensato para galhofar com um de nos, desta forma temos como incumbência andar mais rápido e passar despercebidos enquanto sentimos as ondas a devorar cada pedaço de terra  …

Enquanto tentava manter a tradição domingueira de olhar o mar, de o sentir, de  guardar um pouco da sua essência, passou por mim um casal de nórdicos que andavam em marcha lenta junto ao muro (ao meu muro) olhando o mar como se fosse a primeira vez que assistiam a uma tempestade vinda do oceano!!! Não pude de admirar o estado de pasmo com que aquelas pessoas se deleitavam, olhando as ondas que ferozmente engoliam a praia … também o  vento reparou neles e não sei se por graça ou se pelas sandálias com meias, levantou-os do chão fazendo-os rodopiar sobre si mesmo, os cabelos louros misturam-se e os olhos andaram durante breves segundos a girar em busca de um ponto seguro …  não me atrevi  ir nem fazer nenhuma observação para além de um sorriso traquinas, disfarçado e muito contido pois o vendaval andava a solta !!!

Só as gaivotas, aquelas aves nada raras mas muito emblemáticas se atreveram a fazer frente aos caprichos do oceano. Andavam encolhidas mas firmes nas suas decisões de defender a praia e a pouca areia que se deixava ver … pensei que também eu as vezes sou gaivota, também eu as vezes enfrento outros vendavais com menos vento, é um facto, mas com uma força que ultrapassa qualquer onda vinda do oceano!!!  

Hoje é dia de tempestade !!!

  

O espaço que existe entre dois minutos ...

Escrever para o tempo ganhar forma, para que entre os minutos não existe as solidões pavorosas que tanto nos assustam, que tanto esforço nos requerem para se manterem escondidas!! Pois, neste mundo actual preenchido ate a exaustão, o espaço entre dois minutos pode guardar anos de isolamentos recalcados, abafados, comprimidos aos quais pintamos e damos nomes engraçados com a finalidade de os tornar (os isolamentos) menos monótonos e mais dignos de capas de livros e outros afins…

No outro dia ouvi uma criatura relatar um dos sentimentos menos bom que a habitava … fê-lo com tal firmeza e com tamanha dedicação que me assustou, assustei-me como se assusta uma criança ao ouvir um trovão pela primeira vez na vida. A brutalidade da verdade sem cores de rosa ou outras pigmentações como tais, sem sorrisos vagos tantas vezes impressos em rostos espalhados pelas ruas, sem receios do que os outros poderiam pensar, deixou-me desarmada. A Isa de uma forma muito natural, sentada com pernas a chinês (falseta imitação da posição de Lotus) entrou-me de rompante pela alma adentro. Sem discursos preparados ou lógica entre as palavras, falou da vida, a sua vida e de uma experiencia pessoal menos boa perante um grupo de pessoas, as quais se sentiram obrigadas a ir buscar aquele sentimento mal resolvido, aquele que sabemos que existe no tal espaço entre dois minutos que preenchemos com uma total ferocidade animalesca …

E aqui estou eu entre os meus dois minutos!!! Com um mundo inteiro a minha frente, uma mão cheia de projectos e na outra três ou quatro sentimentos que tenho que os resolver … Quando penso nisto dá-me vontade de rir!!! Juro que sim … pois tenho todas as lições bem estudas, passei em todos os exames e o estagio esta a chegar ao fim, o Universo empurra-me para colocar em pratica toda a matéria ate aqui apreendida !!!

 até já …

Surripi(ar)...

"Saudavam com alvoroço as coisas novas o mundo parecia criado nessa mesma manhã..."

 

Sophia, a minha Sophia enche-me a alma e o coração!!!

Roubei-lhe estas palavras (uma vez mais)...

Porque ela, a Sophia que junta o P e o H de uma feição melodiosa, tem o dom de atar timbres com maresias tendo como "Porto" de abrigo sentimentos reboliços e desordenados que habitam a alma humana ... A minha alma humana !!!

Minha saudosa poetisa que garatujava emoções!!! Obrigada por te deixar saquear de uma forma tão pura …