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Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

Tempos achados nos nossos dias …

 

 

Existem dias que parecem que não são os nossos dias …

Existem dias em que somos colocados numa cápsula do tempo e recuamos junto das lembranças dos nossos avos! Lembranças essas possivelmente gravadas no nosso código genético, onde reconhecemos os cheiros, os rostos e as palavras. Somos então assolados de uma vontade de mudar de estação e ficar por lá um bom bocado. São estes tempos que não nos pertencem mas que nos enchem e nos acolhem de todo o coração. Os meus tempos antigos são guardados nas memórias de outros:

A dos velhos na minha vila …

 

 

 

outro dia ...

Depois de ter passado o sábado de cama ..

Culpa de um estranho vírus, misterioso e matreiro que sorrateiramente,  me atacou durante a noite … deixando-me completamente desarmada e incapacitada de me levantar durante 24h …
Hoje consegui colocar-me de pé sem ajuda …
Abri a janela e mandei-o pastar …
Ai santa paciência

Hoje roubei algumas palavras ...

"Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!"

Pablo Neruda
(meu querido poeta)

No fim, ela morre ...

 

Acabaram-se as ilusões tudo é tal e qual como foi escrito, ela morreu…

Ele contou a história, as contas foram seladas e nada mais resta para dizer.

Na minha cabeça arrumei todos os finais que tinha inventado para essa história quase romance, que de vez em quando acordava-me da inércia moderna da falta de romantismo. Durante dois dias, esta narração preencheu-me a alma, os sonhos e a vida.

Contudo, a personagem principal esta morta (tanto no livro como na vida real), com este fim anunciado desde das primeiras frases, e estando ele oficialmente publicado (disponível em qualquer livraria) e assinado por um escritor de renome … estava eu ainda, passado estes meses em busca do digno final feliz.

 Devorei todas as páginas coma certeza juvenil que mais a frente iria encontrar uma possível metáfora que a trouxe-se de novo a vida, para que tudo voltasse a ter sentido… (velha crença criada em meados nos anos oitenta do amor afortunado). Os parágrafos continuaram, os pontos finais sucediam-se uns atrás dos outros, e as tantas, sabia bem de mais, que não havia espaço para a utilização de figuras de estilo mágicas capazes de ressuscitar personagens previamente mortas desde da primeira linha. A gramática tem este problema, quando a literatura (essa terrivel e cruel) mata um sujeito, mata-o mesmo, nada o poderá salvar.

Existe algo de sinistro nos finais tristes… É como se o leitor fosse enganado, ultrajado por memórias nostálgicas de outros, ficando sempre a pergunta no ar “e agora?”. No caso deste livro sempre soube que a Cláudia estava morta, mas guardava a expectativa que fosse uma morte somente livreira. Na segunda-feira entre dois ou três dedos de conversa soube que a morte quando chega, chega de todas as formas, a Cláudia da viagem ao sahara, das latas de milho voadoras, dos silêncios eternos e dos sorrisos acriançados, está realmente morta … ficou-nos o Miguel para acertar as contas, o Fernando para a confirmar e nós para a testemunhar-nos.

 

nota: livro - no teu deserto