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Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

planos ...

Os meus pensamentos são na sua maioria reflexões de reflexões já reflectivas e analisadas tantas vezes que perco a conta … são pensamentos autónomos que navegam entre os minutos e os segundos adiantados do meu dia!!! Entre um “bom dia” e um “olá, tudo bem?” cria-se uma nova ligação a um velhinho pensamento que se propaga por horas infinitas ate o cerrar os olhos com um “ ate amanha” …

 

Plano para esta primeira semana de Fevereiro (Ainda ontem estava de contagem decrescente para o inicio do ano novo e ele já ganhou asas e começou a dar os primeiros passos) – não reflectir sobre assuntos anteriormente reflectidos!!!

véspera de reuniao ...

 

Não consigo evitar ...

Estas musicas entram e saem da minha cabeça com uma velocidade tremenda

Sem metáforas ou anáforas ou qualquer outra coisa acabada em "foras" ...

Não me parece que haja nada melhor para uma véspera de reunião de pais!!!

- Relembrar Coimbra 07

 

As ruas da minha vida ...

 

Esta rua estava escondida no meio do vendável que hoje se abateu sobre a vila …

O mar habitualmente tranquilo e pacífico estava com personalidade de revolucionário cubano nos anos 60 perdido no meio das montanhas …

Nesta rua, a da paz, viveu o meu avô nos últimos anos da vida dele …

Paz !!! Este meu avô dá-me com cada sinal …

É bom ter um espírito que está constantemente connosco, que não se perde no meio das mudanças, que não se deixa abater pelo tempo e pela distancia, que nos une ao melhor de nos mesmos e nos guia quando tudo parece uma infinita noite sem estrelas!!!

Meu muito querido avô …

Contigo aprendi a contar histórias, a ouvir as mesmas histórias vezes sem conta com o mesmo ouvido da primeira vez e principalmente a saber que existe um mistério para além daquilo que se pode ver …

Aprendi a sentir a natureza nos nossos passeios pela serra, aprendi a roubar uvas ao vizinho e a escolher os figos maduros das árvores (também elas dos vizinhos). Tudo o que sei sobre os peixes foste tu que me ensinaste … e hoje quando entrei no mercado do peixe da vila (mercado esse que já não ias reconhecer) senti-me com vinte anos a menos, de uma mão no nariz e a outra agarrada a ti a olhar para os animais expostos nas bancadas como se fossem peças de museu.

É para ti que acendo diariamente uma vela, é para ti que re-aprendi a rezar e é por ti que me esforço por ser melhor pessoa.

Madalenaaaaaaaaaaa ...

 

Um amigo meu ( não de longa data , mas para longa data durar)
(Re)lembrou-me Elis Regina …
Aqui - viagensoniricas.wordpress.com/
Aquela senhora que cantava com a alma toda ela na garganta , com o coração nas mãos transformando os seus colossais olhos castanhos escuros em duas grandiosas janelas abertas para uma estado de espírito muito para além daquilo que se conhece ou que se possa entende  …
Ainda me lembro, que nos tempos idos em que eu era miúda lá muito nos inícios dos anos oitenta, as tardes de sábado de inverno era passadas em frente a televisão não a preto e branco mas que possuía somente dois triviais canais ( que possivelmente vai dar ao mesmo). O sábado era marcado não só pelos desenhados animados matinais mas (e principalmente) pelo  top + que ia para o ar  ao final do dia. Lá o banho era tomado apressadamente entre uma chuveirada e uma passagem rápida pela esponja com sabonete a seria, lá havia geles de duche ou coisas parecidas. Tudo era feito de tal rapidez para ter o prazer de me sentar no sofá beber leite com chocolate, numa caneca colorida cheia de bolas que possivelmente seria oferta do nesquik . Beber é como quem diz, pois metade da caneca colorida era recheada com chocolate em pó onde juntava-lhe uma ou duas gotas de leite, tentativa tantas vezes frustrada de  enganar os progenitores. Na altura não havia obesidade infantil e tudo se podia comer, tudo  menos o nesquik, porque segundo os ralhetes era algo que saia caro para o bolso, todavia esperar que o meu querido Tio George Michael aparecesse num dos seus telediscos  cheios de cabeleiras empanturras de estilo, muito  tipicamente anos 80, com uma caneca de chocolate entre as mãos tinham um sabor diferente. Na altura não havia youtube, cantar género karaoke  Careless Whisper só mesmo ao sábado a tarde …
Foi nestas excursões musicais que conheci Elis Regina!!!  
“Madelana” entrou de rompante pela casa a dentro … escondeu-se por detrás dos moveis da sala (cremes e pretos como mandava a moda)  e de lá nunca mais saiu …
Elis Regina semanalmente estava a conseguir cativar-me, feito conseguido definitivamente quando surgiu na televisão, numas imagens tremidas e antigas com um som velho e sinuoso no meu castelo, o castelo de Sesimbra!!! Os meus olhos de sete ou oito anos tiveram alguma dificuldade de autenticar o lugar, contudo, quando reconheci as minhas pedras, os meus caminhos e as minhas arvores, corri para a janela da cozinha (que deitava as vistas para o castelo), abri-a e gritei bem alto “ oláaaaaaaaaaaaaaa” … um olá tão grande que ainda hoje passado vinte e muitos anos ecoa pela encosta que dá acesso ao mais bonito castelo com vista para o mar … (o meu , o da minha infância) .
Morreu demasiado cedo, essa Elis Regina que andou a passear pelas minhas propriedades … Deixo-nos Maria Rita com toda a sua graça e encanto. O castelo ainda é meu ( apesar de eu já ter mudando de casa e as janelas hoje estão viradas para a serra da Arrábida) existe sempre alguém ou alguma coisa que nós retoma a nossa infância … possivelmente porque quando isto acontece é porque ela, a infância foi realmente feliz !!!

 

 

Istanbul em mim ...

 

As ruas, os mercados, as ruelas e as avenidas não são muito diferentes das ruas da nossa capital  … alias, a uma certa altura não sabia bem se andava em Lisboa, estava confusa com as ruas do bairro Beyoglu,  pois são uma fotocopia do nosso bairro alto, tanto em barulho nocturno como em local de encontro de varias gerações.  Só as vozes que ecoavam nos minaretes a horas certas me relembravam que estava na cidade antiga capital de três antigos impérios e então fechava os olhos e magia oriental ressoava em mim.

 

Destes dias em que andei bem longe dos guias e mapas turísticos, guias e mapas que tornam a cidade objecto de adoração ( algo sem alma, somente consumista) encontrei uma cidade somente á espera de ser contemplada com todos os nossos sentidos.
Andar perdida nos mercados de especiarias e nas ruas estreitas, são incensuráveis para conhecer as pessoas, olha-las, senti-las e com isso fazer parte daquele mundo (que para nós esta tantas vezes distante).
Viver uma cidade, seja ela qual for, tem de ser assim e não de outras maneiras ditas turísticas  … andar de transportes públicos, estar em filas, ajudar uma pessoa ao nosso lado, cheirar as comidas que são cozinhas da rua, ouvir as palavras dos vendedores que se repetem vezes sem conta na esperança que alguém as ouça, esperar pelo autocarro, entrar no autocarro errado seguir a linha do metro porque sabemos que nos leva a algum lado, não saber em que ruas estamos mas mesmo assim andar com confiança, regatear o preço em português ou em turco ou em outra qualquer lingua previamente fabricada, tudo vale pois a compra é somente um pormenor e regatear uma arte, isto e muito mais, chamo: estar na cidade.
Não gosto de viver o que os outros vivem, o detalhe faz a diferença, faz-me essencialmente sentir viva!!! E sentir viva é andar nas artérias da cidade, onde realmente se encontra a cultura, o tradicional. É fácil de encontrar estes cantos pois em todas as esquinas existem uma lembrança do passado, dos impérios, das guerras, dos sultões e de pessoas que por ali passaram deixando cair acidentalmente sonhos e esperanças …
Istanbul – a cidade fronteira, tem outra particularidade, para além daquelas já publicadas e assinadas por ditos viajantes, existe algo que nunca ninguém imprimiu ou rabiscou, nunca ninguém redigiu um texto no qual descrevesse o tão sublime e excepcional é o pôr sol da Turquia !!! Agora que sou eu a escrever … penso que nunca ninguém o fez porque não existem palavras para o decifrar ( ou pelo menos eu não as tenho todas, as mais acertadas).  É um cor de rosa suave misturado com um azul celeste que se combina numa dança fenomenal para os sentidos . Se pararmos um pouco será fácil ouvir os passos desta dança de cores … ambas movem-se lentamente mergulhando por entre as casas que se perdem de vista amontoadas ao logo do Bósforo sobressaindo sobre os minaretes das mesquitas . Se estivermos na ponte Galata Koprusu, que une as duas margem do Corno do Ouro então teremos a certeza de como é o paraíso – pelo menos a nível de cores,  pois a ponte concentra centenas de pescadores  que mostram a sua paciência e valentia, amontoam-se nos lados extremos da ponte, fazendo lembrar as velhas historias tradicionais, onde os pescadores são caçadores de tesouros!!! Lá os tesouros resumem-se a uns peixes minúsculos que ficam a nadar dentro de uns garrafões de água ate perderem o folgo. É no meio deste cenário que o sol sai devagarinho de cena dando lugar a uma lua gigante …
            Ao contrário da falta de descrições do(s) pôr(es) do sol turco(s), do Bósforo muito se escreveu, pobre rio possui uma tarefa pesada e tem as suas costas a função ingrata de ser fronteiras de dois mundos, para além da herança legada de unificar continentes. O Bósforo não é um rio calmo, ao contrario dos rios europeus pomposos, este guarda revoltas e guerras internas é um rio com personalidade forte e vincada,  sabe de onde vem e para onde vai, tem o destino bem traçado, não se deixando perder entre as centenas de barcos o que tornam uma auto-estrada marítima.  É um rio mistificado por lendas e histórias bizarras. Murat o primeiro depositário das nossas confianças (couchsurfing) numa das nossas conversas utilizando um inglês perfeito mas nem sempre compreendo por mim, contou-nos que em anos antigos quando nevava o rio ficava um autêntico glacial, onde as pessoas passavam de uma margem a outra a andar, nessa noite pedi aos “deuses” para nevar …
A neve não apareceu , infelizmente …
Apareceu sim a oportunidade de assistir a uma oração muçulmana na grande mesquita Nova (junto o rio no lado europeu), não sei porque razão lhe chamam “ Nova” pois aquela mesquita está em frente ao  Bósforo já lá vão mais de quinhentos anos. Sem fazer barulho e sem sapatos com um lenço colorido a cobrir a cabeça entramos devagarinho para assistir a um ritual a que muitos condenam e a muita controvérsia tem dado assas – as rezas , se é assim que se podem chamar, muçulmanas. Eu gosto de rituais – especialmente estes, não sei porque. Saboreei  todos os movimentos dos homens, foi o tempo do parar do estar longe da agitação citadina e sem perceber uma única palavra do que se dizia aceitei-as todas elas, tornando-as minhas. Por momentos, sentada naquele chão de alcatifa de azul e vermelho (ambos extremamente organizado), olhava para todos os gestos que cada homem a minha frente faziam, o passar o polegar pelas orelhas, o levantar , o baixar , o rodar a cabeça para a direita e para a esquerda, o ajoelhar todos estes movimentos entranham-se em mim e foi então que o espírito da cidade ( sim, todas as cidades tem um espírito) abraçou-me dando as boas vindas.