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Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

linhas (des) torcidas

Não tenho escrito, porque segundo me contaram quem tem as linhas torcidas (sejam elas do pé ou do braço) fica incapacitado de juntar mais de duas palavras que possam eventualmente fazer sentido!!!


Hoje, depois de uma noite de dores no braço e com a ideia que tal membro iria com toda a certeza cair em breve, resolvi ir ate ao curandeiro cá da vila. O Senhor na casa dos seus muitos anos avanços, colocou as minhas linhas no devido lugar e entre um puxão aqui e um puxão acolá e uns ossos a estalar que nem varas verdes, voltei a ter mobilidade na mão direita o que me possibilita de vos escrever neste momento…


O que me levou a pensar que esta coisa de ter um corpo tem muito que se lhe diga, ora então uma pessoa anda pela rua e zass apanha uma corrente de ar e torce uma linha? Anda torcida, a pessoa sem saber muito bem como tal aconteceu. Obviamente, existe sempre desculpas que são politicamente aceites, tais como: anda a trabalhar de mais, ou a mais comum nestes dias: é da crise.


Contudo, não foi a malvada linha (ou linhas) fora do lugar que me surpreenderam. O curandeiro é um homem daqui da terra, antigo pescador vizinho da minha avó e que faz parte das minhas personagens míticas da infância, pois qualquer problema de osso fora do lugar o Canana (nome do senhor em questão) resolvia e tal boa fama passou as fronteiras do município e julgo que ate chegou muito além do tejo. Por isso é de imaginar que em plenos e lindos anos 80 as pessoas e as suas histórias fizessem fila a porta de casa do senhor para levarem uns valentes esticões e saírem de lá direitos, hirtos e firmes. Mas como estava a contar, o que me surpreendeu deveras foi a  capacidade do senhor de avaliar, de conhecer, de observar, de intuir o corpo humano, de agarrar num pedaço de corpo de uma pessoa (estranha ou não estranha) e com a toda a tranquilidade pressentir o que esta menos bem sem aquela conversa que se dói o fígado é porque tens medos, se dói o dedo do pé é porque não comunicas … sei lá, essas coisas, onde para todo esse mal existe um chá apropriado mais ou menos agradável!!! O engraçado é que não sei como o senhor aprendeu esta arte de compreender o funcionamento do corpo. Reconheço pequenas coisas do que faz nomeadamente a terapia sacro craniana e quando deixou ficar por breves segundos a mãos nos ombros senti assim um quente muito reikiano! Não sei, temos sempre tendência a reconhecer ou a catalogar coisas …  Seja o que for e seja como ele aprendeu, o braço esta no devido lugar (longe de cair) e as dores de cabeça se as tenho foi do vinho que bebi ao jantar!!!


É importante saber de onde vimos, onde estamos e para onde queremos ir, este tem sido o meu lema de vida dos últimos 32 anos. Sabe-me bem colocar as linhas no lugar para poder continuar em frente. Assim, como me sabe bem recorrer a tradição para voltar a ter os trilhos em bom funcionamento.