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Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

No fim, ela morre ...

 

Acabaram-se as ilusões tudo é tal e qual como foi escrito, ela morreu…

Ele contou a história, as contas foram seladas e nada mais resta para dizer.

Na minha cabeça arrumei todos os finais que tinha inventado para essa história quase romance, que de vez em quando acordava-me da inércia moderna da falta de romantismo. Durante dois dias, esta narração preencheu-me a alma, os sonhos e a vida.

Contudo, a personagem principal esta morta (tanto no livro como na vida real), com este fim anunciado desde das primeiras frases, e estando ele oficialmente publicado (disponível em qualquer livraria) e assinado por um escritor de renome … estava eu ainda, passado estes meses em busca do digno final feliz.

 Devorei todas as páginas coma certeza juvenil que mais a frente iria encontrar uma possível metáfora que a trouxe-se de novo a vida, para que tudo voltasse a ter sentido… (velha crença criada em meados nos anos oitenta do amor afortunado). Os parágrafos continuaram, os pontos finais sucediam-se uns atrás dos outros, e as tantas, sabia bem de mais, que não havia espaço para a utilização de figuras de estilo mágicas capazes de ressuscitar personagens previamente mortas desde da primeira linha. A gramática tem este problema, quando a literatura (essa terrivel e cruel) mata um sujeito, mata-o mesmo, nada o poderá salvar.

Existe algo de sinistro nos finais tristes… É como se o leitor fosse enganado, ultrajado por memórias nostálgicas de outros, ficando sempre a pergunta no ar “e agora?”. No caso deste livro sempre soube que a Cláudia estava morta, mas guardava a expectativa que fosse uma morte somente livreira. Na segunda-feira entre dois ou três dedos de conversa soube que a morte quando chega, chega de todas as formas, a Cláudia da viagem ao sahara, das latas de milho voadoras, dos silêncios eternos e dos sorrisos acriançados, está realmente morta … ficou-nos o Miguel para acertar as contas, o Fernando para a confirmar e nós para a testemunhar-nos.

 

nota: livro - no teu deserto

 

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