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Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

Madalenaaaaaaaaaaa ...

 

Um amigo meu ( não de longa data , mas para longa data durar)
(Re)lembrou-me Elis Regina …
Aqui - viagensoniricas.wordpress.com/
Aquela senhora que cantava com a alma toda ela na garganta , com o coração nas mãos transformando os seus colossais olhos castanhos escuros em duas grandiosas janelas abertas para uma estado de espírito muito para além daquilo que se conhece ou que se possa entende  …
Ainda me lembro, que nos tempos idos em que eu era miúda lá muito nos inícios dos anos oitenta, as tardes de sábado de inverno era passadas em frente a televisão não a preto e branco mas que possuía somente dois triviais canais ( que possivelmente vai dar ao mesmo). O sábado era marcado não só pelos desenhados animados matinais mas (e principalmente) pelo  top + que ia para o ar  ao final do dia. Lá o banho era tomado apressadamente entre uma chuveirada e uma passagem rápida pela esponja com sabonete a seria, lá havia geles de duche ou coisas parecidas. Tudo era feito de tal rapidez para ter o prazer de me sentar no sofá beber leite com chocolate, numa caneca colorida cheia de bolas que possivelmente seria oferta do nesquik . Beber é como quem diz, pois metade da caneca colorida era recheada com chocolate em pó onde juntava-lhe uma ou duas gotas de leite, tentativa tantas vezes frustrada de  enganar os progenitores. Na altura não havia obesidade infantil e tudo se podia comer, tudo  menos o nesquik, porque segundo os ralhetes era algo que saia caro para o bolso, todavia esperar que o meu querido Tio George Michael aparecesse num dos seus telediscos  cheios de cabeleiras empanturras de estilo, muito  tipicamente anos 80, com uma caneca de chocolate entre as mãos tinham um sabor diferente. Na altura não havia youtube, cantar género karaoke  Careless Whisper só mesmo ao sábado a tarde …
Foi nestas excursões musicais que conheci Elis Regina!!!  
“Madelana” entrou de rompante pela casa a dentro … escondeu-se por detrás dos moveis da sala (cremes e pretos como mandava a moda)  e de lá nunca mais saiu …
Elis Regina semanalmente estava a conseguir cativar-me, feito conseguido definitivamente quando surgiu na televisão, numas imagens tremidas e antigas com um som velho e sinuoso no meu castelo, o castelo de Sesimbra!!! Os meus olhos de sete ou oito anos tiveram alguma dificuldade de autenticar o lugar, contudo, quando reconheci as minhas pedras, os meus caminhos e as minhas arvores, corri para a janela da cozinha (que deitava as vistas para o castelo), abri-a e gritei bem alto “ oláaaaaaaaaaaaaaa” … um olá tão grande que ainda hoje passado vinte e muitos anos ecoa pela encosta que dá acesso ao mais bonito castelo com vista para o mar … (o meu , o da minha infância) .
Morreu demasiado cedo, essa Elis Regina que andou a passear pelas minhas propriedades … Deixo-nos Maria Rita com toda a sua graça e encanto. O castelo ainda é meu ( apesar de eu já ter mudando de casa e as janelas hoje estão viradas para a serra da Arrábida) existe sempre alguém ou alguma coisa que nós retoma a nossa infância … possivelmente porque quando isto acontece é porque ela, a infância foi realmente feliz !!!

 

 

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