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Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

Fabuleux destin d'Ana

Não existe lugar para o acaso ...

Ruas das minhas gentes …

Ir a vila já não é o que era !!!

 

As ruas para além de mudarem de alcunhas (trocaram os nomes esquecidos  para nomes muito mais atractivos ao turista) … Perderam a característica que eu mais apreciava: O pitoresco,  esse legado tradicional de uma terra que sempre viveu com os olhos posto no mar, ora não fosse ele acordar um dia endiabrado e galgar o murro da praia.
Pelas ruas da minha vila andam os meus mortos …
Meio confusos e dispersos pois com tanta mudança, ate os vivos tem algumas dificuldades em se organizar entre sentidos proibidos e sentidos únicos, quanto mais aqueles que já fazem parte do outro mundo!!!
Andar pela parte nova não me agrada em nada … pois aquelas pedras não conheceram os meus avos, não são guardadoras das histórias da minha infância, e não conheceram os tempos difíceis em que as mulheres rezavam baixinho prezes tímidas e sofridas para que os barcos dessem a costa em dias de temporal. Uns chegavam outros deixavam-se ficar no imenso oceano ate hoje, ate sempre …
Pelas ruas mais antigas é um prazer andar a passo lento e descontraído, em cada esquina esquecida pelos visitantes ouço as vozes dos homens antigos que nunca morreram … sei que quando se é  muito velhinho não se morre,  estes fundem-se com as paredes antigas das ruas arcaicas que conseguem manter a mesma estrutura dos seus originais construtores.
Não me agrada a ideia de novas praças, de novas casas e novos empreendimentos cheios de modas e arquitectura dita moderna que assolam a encosta da vila … Estes entram pela praia a dentro como um bicho de sete cabeças esfomeado e sedento de algo mais … qualquer dia, disse um homem da terra, deixa-se de ver o mar !!! o mar, o mar do avo !!!
Quem sabe se escrevo as historias dos meus velhos … para que as novas gentes possam saber que antes de haver um Sana hotel ( com as suas luzes ofuscantes ) havia um Hotel Espadarte,  que tinha umas portas gigantes de madeira que em dias de mau tempo eram fechadas e trancadas para que as onda que batiam num truz truz feroz soubessem aqui não existia quatros livres, parecia mais que o mar queria hospedagem no mais famoso hotel da vila …
Hotel Espadarte, porque em frente a este, eram mostrados  e leiloados em grande pompa e circunstancia  os peixes espadartes que eram apanhados em aguas próximas ou não … lembro-me de que sempre pensei que aqueles monstros marinhos, (isto porque quando se tem cinco anos qualquer peixe que não caiba no prato tem a designação de monstro) fossem tubarões terríveis com quais os pescadores tinham travados disputas épicas. E ali estavam eles, a mostrar a sua valentia a sua bravura  as gentes da terra…
Por volta dos meus seis anos o meu avo deu-me um dente de tubarão …
Contou-me uma história assombrosa (como todas as outras por si contadas)  e no final disse-me que iria guardar aquele dente ate morrer, depois teria eu essa missão – guardar a honra da família. O que na altura parecia um dente do tamanho de uma mão, hoje é um dente mais pequeno que uma unha, mas esta guardado como se fosse um tesouro inca.
Gostava que nunca se esqueçam que a vila tem alma de gente trabalhadora, conformada, paciente e perspicaz no que diz respeito as artes do mar…
Que o monumento aos pescadores mudou de lugar, não sei porque …
Que a agua do caneiro é milagrosa
E que o monte dos ciganos é assombrado por almas ali enterradas vivas no tempo da peste …

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